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Literatura - poesias

  • Boia Fria

    Amanheceu: pegou um caminhão e foi pra lida.

    Nascer do sol: brilhando no horizonte mais um dia. Aperta o coturno, o lenço e o chapéu, amola o facão,mira para o céu , reza um pai nosso e começa o trabalho...

    Então:o corte vai surgindo, a cana vai caindo e as folhas nocortando; o fardo amontoando, o sol já vai a pique e o suor escorrendo em bicas... E a bóia vem fria pra comer,e os amigos têm tempo de conversa, que é pra ver se um dia a vida se avessa e dá prazer.

    Entardeceu:o cabra que é bom cortou de tudo.

    Adormeceu: juntou com o sol, o cansaço ... virou noite. A afrouxa o coturno, tira o chapéu, descansa o facão... pede uma aguardente, joga um pouco no chão, oferecendo ao santo bom... E, ao chegar em casa, o cheiro do café, e a molecada vêm... o riso vai surgindo, o dia foi comprido, mas ele ainda está de pé... E a janta vem quente como o quê,e a mulher que tem: fé e esperança , de uma gente que não cansa de ter forca pra viver...