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Literatura - poesias

  • Três noites cariocas

    Tua brisa beija meus olhos ávidos que cintilam te conhecer,
    Vejo-te um ser, semidespido, somente nossas sombras pelas calçadas interagem.
    Nem a miragem e a embriaguez de mar e vento derrotam o sol ao entardecer,
    Olho teu cristo, penso e existo; falta-me tempo, mas sobra-me coragem.

    Sob a marquise de tuas estrelas emaranhei meus sonhos de rapaz,
    Ainda ouço a vivaz pronuncia do marulhar de tuas doces ondas salgadas,
    São cariocas, as madrugadas doadas aos títeres de um destino fugaz,
    Copacabana, suíte praia, cama de areia; lustres de ruas iluminadas.

    O despertar de um porre bom depois de tantas descobertas,
    Portas abertas para voltar, esquecendo-se que a vida é incerta.
    Na tarde morna o cansaço atroz de tão difícil despedida
    Da janela, vejo o desenho da orla perdida.

    Procuro-te à distância com meu olhar apaixonado,
    Eu, o pobre coitado, paulista triste que foi embora sem antes compreendê-la.
    Hoje, entre grandes pedras, ainda me pergunto :
    cidade maravilhosa , como posso esquecê-la?

    Vivi mil vidas em cada noite,
    respirei o ar de uma efêmera plenitude,
    agora sei e sinto a todo o momento:
    nem o tempo com seu inexorável açoite
    domou o selvagem corcel de minha juventude.